Juan Carrau - Família Carrau

| Na época em que Carlos III reinava sobre Espanha e Catalunha |
 |
Vilasar de Mar é um pequeno povoado da Costa Brava, hoje integrado à pujante Barcelona. Suas origens remontam a época da ocupação da Península Ibérica pelos romanos.
Por volta de 1700 seus habitantes vivam da pesca, da agricultura, da construção naval de pequeno porte e da navegação de cabotagem nas costas do Mediterrâneo.
Nesse contexto semi-rural tranqüilo e pacato viveu Francisco Carrau Vehils (1701-1783).
Carlos III, promovendo tratados com os piratas que assolavam aquelas costas e abrindo os portos mediterrâneos à navegação transatlântica – até então restrita a alguns portos atlânticos da Península Ibérica – impulsionou o progresso da Espanha e da Catalunha.
Segundo documentos conservados até nossos dias (inventário de bens datado de 6 de fevereiro de 1783), Francisco Carrau Vehils, com a idade de 51 anos, anexou às propriedades que possuía um vinhedo chamado “La Mañana” (A Manhã), que deu início a uma tradição vitivinícola que se mantém ininterrupta até o presente. Isto ocorreu em 2 de abril de 1752.
|
Torre em Vilasar e que era parte da muralha que circundava a cidade nos
séc. XII-XIV.
|
|
Francisco Carrau Vehils descendia de militares vindos com Luís XIII do sul da França para ajudar os catalões durante o sítio que o Duque de Olivares impusera a Barcelona em 1650.
Abandonando a atividade de seus ancestrais, dedicou-se à agricultura e a pesca. Suas propriedades seriam semente das atividades de seus sucessores: a elaboração de vinhos e comércio por via marítima.
Seu filho Francisco Carrau Mir (1732-1775) e seu neto Lorenzo Carrau Girbau (1762-1810), viveram a transformação daquela pequena Vilasar, onde se começou a construir barcos de maior envergadura para comerciar com as terras do outro lado do Atlântico: as Américas, que tantos sonhos despertaram nos homens de iniciativa daquela época. |
|
 |
| Carlos III |
|
|
Na rota da prosperidade |
 |
Juan Carrau Ferrés
(1823-1897) |
|
|
As Américas constituíam a oportunidade de abastecer de vinhos e óleo de oliva um grande mercado.
Os registros existentes relatam que o filho de Lorenzo, Francisco Carrau Amat (1790-1860) e seu neto Juan Carrau Ferres (1823-1897) – sobre o qual existe uma autobiografia – chegaram a ser importantes não só como vitivinicultores (Adegas San Francisco Javier) mas também como armadores e comerciantes de ultramar, percorrendo entre outras rotas a que chegavam a Havana, Pernambuco, Rio de Janeiro, Montevidéo e Buenos Aires. |
|
Em 1876 funda-se em Vilasar a Escola Náutica, notável núcleo de ensino que forjou uma plêiade de excelentes navegadores – dentre eles vários membros da família Carrau. Por muito tempo, tornou-se usual para os membros da família educar-se nessa escola, que graduava pilotos de 3ª classe com apenas 13 – 14 anos de idade. Assim, era comum que os irmãos mais jovens se dedicassem às viagens marítimas, comandados por alguns mais experientes. Nesse contexto, os mais capazes conseguiam transformar-se em capitães e experimentados navegadores transatlânticos em torno dos 30 anos. A partir dessa idade muitos casavam e passavam mais tempo em terra, ocupando-se direta e pessoalmente das atividades do vinhedo e da adega.
|
O barco "Tuya", (óleo) que pertenceu aos Carrau,
atravessou o Atlântico várias vezes, trazendo
vinho espanhol para a América, no século XIX. |
Francisco Carrau Mir (1860-1902) foi o último dos navegadores da família Carrau e veio a falecer ainda jovem em consequência de pneumonia, ao que parece vinculada a passagem pelo Equador.
Seu filho, Juan Pablo Carrau y Sust (1890-1959), viu-se à frente de um empreendimento de porte em tempos difíceis e de mudanças. A era industrial trouxe os barcos movidos a vapor, substituindo os saudosos veleiros de grande calado. Juan Pablo foi preparado por sua mãe para a direção das Adegas San Francisco Javier, destacando-se como discípulo do famoso enólogo espanhol Cristobal Mestre, da Escola de Enologia de Villa Franca de Panadés. Embora competente, era jovem demais para enfrentar a crise econômica que passou a assolar a Europa e a Espanha de pré-guerra. Decidiu então emigrar para o Uruguai em 1930. |
|
 |
Francisco Carrau Mir
(1860-1902) |
|
Em contraste, o Uruguai vivia um período de grande progresso em todas as atividades e a vitivinicultura era receptiva a enólogos de formação européia. Assim, Juan Pablo associou-se a Juan B. Passadore, dando origem à empresa Passadore, Carrau & Mutio que, por seu impulso pessoal, consolidou seu prestígio em poucos anos. Nessa empresa, Juan Pablo supervisionou a construção da primeira cave para elaboração de champagne (Méthode Champagnose) na América Latina, em 1937.
|
Juan Pablo Carrau y Sust
(1890-1959) |
|
|
Em 1940, Juan Francisco Carrau (1924-1984) sucedeu ao pai na sociedade. Em uma viagem de recreio a Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, em 1964, Juan Francisco percebeu o imenso potencial do mercado brasileiro no consumo de vinhos e que aqui esse produto era então elaborado em condições pouco evoluídas. Salvo raras exceções, era usual a vinificação de uvas comuns. Assim, a ideia de instalar-se em Caxias do Sul foi amadurecendo por quatro longos anos. Por fim, em 1968, Juan Francisco obteve a concordância de seus sócios para alugar uma pequena cantina colonial que pertencia aos irmãos Michelon, na Linha 40, perto de Caxias do Sul. Com muito amor e dedicação, foram ali elaborados os primeiros Cabernet Franc e Merlot pelos Carrau no Brasil. Começavam a assentar-se as bases que permitiriam, a partir de 1971, elaborar o primeiro corte de Cabernet Franc e Merlot ultrafino que deu origem à safra inicial do vinho Velho Museu – Carrau 1952. |
No ano de 1974, em paralelo às atividades vinícolas na região da Serra Gaúcha (Caxias do Sul), Juan Francisco Carrau (fundador do Chatêau Lacave, hoje propriedade de um grupo francês) iniciou os estudos pioneiros para implantação de vinhedos na região da fronteira entre Brasil e Uruguai. Em 1978, teve início o plantio de videiras que deram origem aos novos vinhedos “La Mañana”, responsáveis pela produção das uvas Cabernet Sauvignon e Gewürztraminer, utilizadas na produção dos vinhos Juan Carrau, adega Cerro Chapéu, Livramento. O lançamento da primeira safra desta região – Vinhedos Juan Carrau, Rivera – veio concretizar-se em Montevidéo, em 8 de outubro de 1982, antes que o mercado brasileiro tivesse oportunidade de conhecer os produtos obtidos de uvas da região da fronteira. |
|
 |
Juan Francisco Carrau
(1924-1984) |
|
|

|
|
|